Hipnose clínica ganha força no tratamento da ansiedade e se consolida como ferramenta de primeira linha para questões emocionais

Eduardo Cavalcanti Cunha

A busca por terapias que ajudem a lidar com ansiedade, estresse e sobrecarga emocional cresce no Brasil. Em meio à rotina acelerada e ao aumento expressivo de queixas ligadas à saúde mental, a hipnose clínica — ou hipnoterapia — volta a ganhar espaço como uma abordagem respaldada por evidências e cada vez mais procurada por pacientes.

Diferentemente do imaginário popular difundido por filmes, a hipnose usada em contexto clínico é um estado de foco profundo com relaxamento, no qual o paciente permanece plenamente consciente, capaz de interromper o processo a qualquer momento. A técnica cria um ambiente propício para reorganizar padrões emocionais, reprogramar respostas automáticas e reduzir a hiperativação mental típica da ansiedade.

Felipe Gonzalez, especialista em hipnoterapia, explica que a técnica atua diretamente na raiz emocional do problema. “Quando a ansiedade tem origem em traumas, gatilhos ou padrões emocionais que se repetem, a hipnose ajuda o paciente a acessar esses conteúdos internos e reorganizá-los. É um processo que trabalha causas, não apenas sintomas.”

O que a ciência mostra

Nos últimos anos, centros de pesquisa internacionais têm aprofundado a investigação sobre como a hipnose modifica a percepção emocional e fisiológica da ansiedade.

Um estudo conduzido na Stanford Medicine mostrou que a hipnose altera circuitos relacionados à percepção da dor e da tensão emocional, modulando áreas cerebrais associadas ao medo e ao estresse. Em paralelo, a American Psychological Association (APA) destacou em uma análise científica que a hipnose apresenta resultados consistentes para redução de ansiedade, melhora do controle emocional e ampliação da sensação de segurança interna.

As evidências também são reforçadas em situações clínicas específicas: a hipnose tem se mostrado eficaz para reduzir ansiedade em procedimentos médicos, auxiliar no manejo da dor e melhorar sintomas emocionais decorrentes de condições crônicas.

Segundo Gonzalez, “a hipnoterapia pode ser uma primeira escolha para tratar questões emocionais como ansiedade, fobias, traumas e sintomas associados a estresse. Ela pode atuar sozinha ou combinada com psicoterapia e outras abordagens, dependendo das necessidades de cada pessoa.”

O que muda na prática

Especialistas ressaltam que uma sessão de hipnose conduz o paciente a um estado de atenção concentrada, onde o cérebro se torna mais receptivo a reorganizar crenças, emoções e respostas automáticas. Em muitos casos, isso permite acessar conteúdos internos que influenciam comportamentos ansiosos — como medo antecipatório, insegurança, sensação de perda de controle e respostas físicas exageradas.

Ao atuar diretamente sobre esses padrões, a hipnose pode gerar resultados mais rápidos do que abordagens exclusivamente racionais. Para muitas pessoas, ela reduz a sensação de ameaça interna e melhora a estabilidade emocional.

Cuidados essenciais

Apesar das evidências crescentes, a técnica exige formação especializada. A recomendação é buscar profissionais qualificados, especialmente quando o objetivo é tratar ansiedade com repercussões mais intensas no cotidiano.

“O que garante a segurança do processo é a formação do terapeuta. A hipnose é extremamente eficaz quando bem conduzida, mas precisa ser aplicada por alguém habilitado”, explica Gonzalez.

Ele reforça que a técnica não concorre com a psicoterapia tradicional nem com o acompanhamento psiquiátrico, e sim pode atuar em conjunto quando necessário. “Cada caso demanda uma avaliação individual. O mais importante é que o paciente esteja em um ambiente seguro e guiado por um profissional preparado.”

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