A busca por terapias que ajudem a lidar com ansiedade, estresse e sobrecarga emocional cresce no Brasil. Em meio à rotina acelerada e ao aumento expressivo de queixas ligadas à saúde mental, a hipnose clínica — ou hipnoterapia — volta a ganhar espaço como uma abordagem respaldada por evidências e cada vez mais procurada por pacientes.
Diferentemente do imaginário popular difundido por filmes, a hipnose usada em contexto clínico é um estado de foco profundo com relaxamento, no qual o paciente permanece plenamente consciente, capaz de interromper o processo a qualquer momento. A técnica cria um ambiente propício para reorganizar padrões emocionais, reprogramar respostas automáticas e reduzir a hiperativação mental típica da ansiedade.
Felipe Gonzalez, especialista em hipnoterapia, explica que a técnica atua diretamente na raiz emocional do problema. “Quando a ansiedade tem origem em traumas, gatilhos ou padrões emocionais que se repetem, a hipnose ajuda o paciente a acessar esses conteúdos internos e reorganizá-los. É um processo que trabalha causas, não apenas sintomas.”
O que a ciência mostra
Nos últimos anos, centros de pesquisa internacionais têm aprofundado a investigação sobre como a hipnose modifica a percepção emocional e fisiológica da ansiedade.
Um estudo conduzido na Stanford Medicine mostrou que a hipnose altera circuitos relacionados à percepção da dor e da tensão emocional, modulando áreas cerebrais associadas ao medo e ao estresse. Em paralelo, a American Psychological Association (APA) destacou em uma análise científica que a hipnose apresenta resultados consistentes para redução de ansiedade, melhora do controle emocional e ampliação da sensação de segurança interna.
As evidências também são reforçadas em situações clínicas específicas: a hipnose tem se mostrado eficaz para reduzir ansiedade em procedimentos médicos, auxiliar no manejo da dor e melhorar sintomas emocionais decorrentes de condições crônicas.
Segundo Gonzalez, “a hipnoterapia pode ser uma primeira escolha para tratar questões emocionais como ansiedade, fobias, traumas e sintomas associados a estresse. Ela pode atuar sozinha ou combinada com psicoterapia e outras abordagens, dependendo das necessidades de cada pessoa.”
O que muda na prática
Especialistas ressaltam que uma sessão de hipnose conduz o paciente a um estado de atenção concentrada, onde o cérebro se torna mais receptivo a reorganizar crenças, emoções e respostas automáticas. Em muitos casos, isso permite acessar conteúdos internos que influenciam comportamentos ansiosos — como medo antecipatório, insegurança, sensação de perda de controle e respostas físicas exageradas.
Ao atuar diretamente sobre esses padrões, a hipnose pode gerar resultados mais rápidos do que abordagens exclusivamente racionais. Para muitas pessoas, ela reduz a sensação de ameaça interna e melhora a estabilidade emocional.
Cuidados essenciais
Apesar das evidências crescentes, a técnica exige formação especializada. A recomendação é buscar profissionais qualificados, especialmente quando o objetivo é tratar ansiedade com repercussões mais intensas no cotidiano.
“O que garante a segurança do processo é a formação do terapeuta. A hipnose é extremamente eficaz quando bem conduzida, mas precisa ser aplicada por alguém habilitado”, explica Gonzalez.
Ele reforça que a técnica não concorre com a psicoterapia tradicional nem com o acompanhamento psiquiátrico, e sim pode atuar em conjunto quando necessário. “Cada caso demanda uma avaliação individual. O mais importante é que o paciente esteja em um ambiente seguro e guiado por um profissional preparado.”