Movimento de Associados do Goiás Esporte Clube busca alteração estatutária para democratizar eleição do presidente

Rafael Mendonça Torres
Rafael Mendonça Torres

Escritório de advocacia Varela Torres atesta legitimidade do pedido e destaca importância da participação dos associados na gestão do clube

Membros associados ao Goiás Esporte Clube protocolaram, na manhã desta segunda-feira, 6/11, um documento que pede a alteração do estatuto do clube, visando permitir que os associados possam votar para presidente da instituição. Essa ação é conduzida pelo escritório de advocacia Varela Torres, que destaca a legitimidade do pedido e alerta para a importância dessa mudança para promover uma gestão mais democrática e participativa de seus integrantes.

Atualmente a escolha do presidente do Goiás é feita pelo conselho deliberativo, composto por cerca de 225 associados. No entanto, o ex-presidente e líder do movimento, Sérgio Rassi, argumenta que esses associados são geralmente aclamados em assembleia com uma lista de nomes pré-escolhidos pela família Pinheiro, em uma “clara subserviência aos mesmos”.

Análise jurídica feita por Dr. Flavio Varela, que conduz o processo, garante que a alteração do estatuto é um passo fundamental para permitir a participação efetiva dos associados na escolha do presidente do clube. Ele destaca que a atual situação, em que apenas os membros do conselho deliberativo têm direito a voto, não condiz com os princípios democráticos e pode limitar a representatividade dos associados.

“A ação em questão conta com a participação de praticamente todos os associados que não fazem parte do conselho deliberativo, além de alguns conselheiros”, explica Dr. Flávio. Enquanto Rassi informa que praticamente todos os ex-presidentes do clube apoiam o pedido, com exceção de João Bosco Luz, cujo filho faz parte do departamento jurídico do clube, e Paulo Lopes, que trabalha na administração, mas é sensível às ações do movimento.

Caso a alteração do estatuto seja acatada, todos os associados passarão a ter direito de votar para presidente do clube, exercendo democraticamente um direito que, segundo Rassi, foi usurpado. O próximo passo após protocolar o pedido é exigir a realização de uma assembleia geral extraordinária, com o objetivo específico de discutir o direito a voto para a eleição da direção executiva e um plano de refinanciamento para quitar as mensalidades atrasadas dos sócios inadimplentes.

Dr. Flávio Varela Torres reforça que a atuação do escritório de advocacia Varela Torres nesse processo é pautada pela busca da justiça e da transparência. Ele destaca que a legitimidade do pedido é respaldada pela análise minuciosa do estatuto do clube e das leis esportivas vigentes. “É fundamental que os associados tenham voz e poder nas decisões do Goiás Esporte Clube, deixando para trás um sistema feudal e autocrático que tem prejudicado o desenvolvimento do clube”, pontua.

O motivo que levou esse grupo a tomar essa decisão é a insatisfação com o sistema “feudal e autocrático” que, segundo Rassi, tem dominado o clube há décadas. Ele afirma que uma família usurpou o poder, ditando normas e distribuindo cargos aos amigos e parentes de mesmo sobrenome, o que resultou na estagnação do Goiás Esporte Clube como um mero figurante no campeonato brasileiro, com diversos rebaixamentos para a Série B.

Além disso, Rassi critica a falta de modernização na gestão e a ausência de critérios meritocráticos na escolha de ocupantes para cargos importantes. Ele ressalta que outros clubes no Brasil e até mesmo no estado de Goiás abandonaram a gestão familiar arcaica e se modernizaram, citando exemplos como Fortaleza, Atlético Paranaense, Bragantino e Amazonas.

Diante dessa situação, o grupo de associados busca romper com a familiocracia e levar o Goiás Esporte Clube a uma nova era de gestão mais transparente, participativa e voltada para o mérito. Acreditam que essa mudança é essencial para evitar a bancarrota do clube e colocá-lo novamente em destaque no cenário esportivo.

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