Pesquisadora da FGV afirma que a prática é válida, desde que não ultrapasse o limite da humilhação pública
As redes sociais foram tomadas, nos útimos dias, por memes envolvendo o caso de uma mulher de São Valentim, no Rio Grande do Sul, que acreditava manter um relacionamento amoroso com o ator norte-americano Brad Pitt. Nas imagens que começaram a circular nos últimos dias, ela é abordada por policiais enquanto aguardava a suposta chegada do astro hollywoodiano em um aeroporto de Erechim, no mesmo estado. Rapidamente, empresas e comerciantes locais entraram na onda das brincadeiras para gerar engajamento e, consequentemente, divulgar produtos e serviços. Em uma das imagens, Brad Pitt aparece comprando um botijão de gás, enquanto em outra um corretor oferece um imóvel para o ator. Lilian Carvalho, PhD em Marketing e coordenadora do Centro de Estudos em Marketing Digital da FGV/EAESP, lembra que essa prática é bastante comum em casos de grande repercussão, devido ao potencial de alcance dos meios digitais, mas alerta que, nesta situação específica, existe um “risco reputacional”.
“Se tratando de um caso em que alguém, possivelmente, foi vítima de um golpe ou está em uma situação de fragilidade emocional, explorar de forma exagerada e ultrapassar uma linha que leve à humilhação pública dessa pessoa gera riscos reputacionais a uma marca, pois a nossa cultura não aceita mais esse tipo cyberbullying”, explica.
Por outro lado, Carvalho ressalta que imagens que utilizam apenas a imagem do ator de forma humorada, como um convite para que outras conheçam um local ou estabelecimento, por exemplo, são válidas e pertencem a uma prática já consolidada no marketing digital. “O entretenimento é a segunda principal razão que leva as pessoas a usarem a internet, atrás apenas do contato com familiares e amigos. E o meme é uma maneira bastante popular de engajamento, por ter um apelo bem humorado, portanto essa é uma chance de ouro para alcançar mais pessoas, especialmente por envolver, ainda, um nome muito forte como o de Brad Pitt”, afirma a pesquisadora.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito para investigar se há indícios de golpe no caso.